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Crise no Palácio dos Leões: entenda como azedou a relação entre Brandão e Camarão

11/10/2025, às 01:12

O clima entre o governador Carlos Brandão (PSB) e o vice-governador Felipe Camarão (PT) segue cada vez mais frio. Embora os dois ainda participem de agendas públicas em conjunto — como a ocorrida nesta quinta-feira (9), em Imperatriz, durante visita do ministro da Educação, Camilo Santana, ao IFMA —, eles não se cumprimentaram nem demonstraram proximidade.

A distância visível reforça o cenário de desalinhamento político entre as duas principais lideranças do Executivo maranhense.

Em declarações recentes, Felipe Camarão afirmou que “conversar não custa caro”, demonstrando disposição para o diálogo. Já Brandão, segundo aliados, não dá sinais de recuo e mantém a intenção de fortalecer seu próprio grupo político, inclusive com a possível candidatura de um familiar nas eleições de 2026.


O início do desgaste

Nos primeiros meses deste ano, entre fevereiro e março, havia a percepção de que a relação entre Brandão e Camarão seguia estável.
Mas o cenário começou a mudar após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que atingiu aliados e familiares do governador, em meio a disputas envolvendo a Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema).

A partir desse momento, as tensões entre brandonistas e dinistas — grupos ligados, respectivamente, a Brandão e ao ministro do STF Flávio Dino — começaram a ganhar força.


As declarações de Rubens Pereira

Durante entrevista ao programa Expediente Final, da Rádio Difusora News, na sexta-feira (26), o secretário de Articulação Política do Estado, Rubens Pereira (Rubão), revelou bastidores da crise.

Contrariando o discurso do deputado federal Márcio Jerry (PCdoB), Rubão afirmou que Brandão nunca deixou de buscar o diálogo e que as conversas de reaproximação estavam avançadas. Segundo ele, o impasse surgiu quando os dinistas se recusaram a ceder a escolha do vice na chapa de Felipe Camarão ao governador.

“O diálogo estava fluindo bem, com avanços importantes, até que surgiu a resistência dos dinistas quanto à escolha do vice por parte do governador. Esse foi o estopim do rompimento definitivo”, afirmou o secretário.

A declaração de Rubão abriu um novo capítulo na crise política que divide o grupo governista e expôs a disputa por espaços de poder dentro da base aliada no Maranhão.

Logo após a fala, Felipe Camarão respondeu, negando que tenha havido qualquer conversa sobre escolha de vice e reafirmando que o diálogo com Brandão está interrompido, mas que segue aberto a conversas futuras.


Desconfianças e recuos

Nos bastidores, aliados relatam que Brandão passou a adotar uma postura mais reservada após divergências internas envolvendo indicações para o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e a corrida pela presidência da Alema.
O governador teria manifestado desconforto com parte das decisões do grupo dinista e, desde então, tem se aproximado de aliados de fora da órbita de Flávio Dino.

Fontes afirmam que o governador chegou a expressar falta de confiança em torno de uma eventual transição de poder e que não estaria disposto a abrir mão do comando político do grupo que o sustenta.


Distância consolidada

O episódio em Imperatriz apenas confirmou o que há meses já era perceptível: a relação entre Brandão e Camarão é hoje meramente institucional.
Nos bastidores, tanto brandonistas quanto dinistas reconhecem que a ruptura política está consolidada, mesmo que sem um rompimento formal.

Enquanto Camarão tenta preservar pontes e reafirma disposição para o diálogo, Brandão mantém seu grupo coeso e prepara terreno para 2026, em um cenário que promete reconfigurar o tabuleiro da política maranhense.