
A Prefeitura de Gonçalves Dias divulgou uma nota de esclarecimento nesta segunda-feira (13) sobre o caso que ganhou repercussão nas redes sociais, envolvendo o atendimento a um paciente no Hospital Municipal. O texto tenta afastar acusações de falha médica e afirma que o paciente “foi prontamente avaliado, medicado, deixado em observação e encaminhado ao hospital regional de referência”.
Entretanto, o trecho que mais gerou questionamentos foi o seguinte:
“O paciente estava estável e não necessitava de oxigenoterapia conforme citam nas notícias.”
Na prática médica, o termo “estável” significa apenas que, no momento da avaliação, os sinais vitais — como pressão arterial, batimentos cardíacos e saturação de oxigênio — estavam dentro da normalidade. Isso não significa que o paciente estava fora de risco ou que não poderia piorar rapidamente.
Segundo especialistas, um paciente pode estar “estável” e, ainda assim, apresentar uma condição grave que requer monitoramento intensivo ou suporte respiratório preventivo.
A frase de que o paciente “não necessitava de oxigenoterapia” também causa estranheza. O uso de oxigênio é uma conduta básica e, muitas vezes, preventiva em casos de desconforto respiratório, trauma, doenças cardíacas ou infecções pulmonares.
Sem acesso aos dados do prontuário — como saturação de oxigênio, frequência respiratória e tempo entre avaliação e transferência —, não há como confirmar se a conduta foi realmente adequada.
Casos como esse nem sempre envolvem negligência direta de um profissional, mas sim falhas estruturais no sistema de saúde municipal:
Ainda assim, a responsabilidade institucional permanece, já que cabe à gestão garantir que o paciente receba assistência contínua e segura durante todo o processo.
O Hospital afirmou lamentar o desfecho e reafirmou seu compromisso com a transparência e a melhoria da assistência à população.
No entanto, a nota oficial, por si só, não basta — a população espera uma apuração completa, com divulgação de dados técnicos e cronologia dos fatos, para que se esclareça se houve erro humano, falha de protocolo ou omissão estrutural.