
Os bastidores da política maranhense voltaram a ferver nesta semana. Segundo fontes próximas ao grupo político de Brasília, o ex-presidente José Sarney teria convidado o ministro do Supremo Tribunal Federal (Flávio Dino) para uma conversa reservada — o objetivo: tentar construir uma ponte de diálogo entre os grupos brandonista e dinista, que travam uma guerra silenciosa (e às vezes nem tão silenciosa) pelo controle político do Estado.
De acordo com relatos de bastidores, Sarney teria se colocado como pacificador, preocupado com a escalada da crise e com a divisão que ameaça desestabilizar a base governista e o equilíbrio político no Maranhão.
Durante o encontro, Dino teria ouvido o ex-presidente com atenção e sinalizado abertura ao diálogo, mas fez uma ressalva direta e firme:
“Tudo bem conversar, mas não aceito ninguém da família Brandão ser governador.”
A frase teria caído como uma bomba entre os interlocutores, deixando claro que a reconciliação entre os dois grupos está longe de um consenso. A mensagem de Dino foi interpretada como um recado direto ao governador Carlos Brandão, com quem rompeu politicamente após anos de parceria, e a todo o núcleo familiar e político que o cerca.
O clima de tensão entre brandonistas e dinistas vem se intensificando desde o início do ano. O que antes era apenas um distanciamento estratégico virou um rompimento aberto, com trocas de farpas nos bastidores, disputas por espaços no governo, cargos em órgãos de controle e influência sobre prefeituras.
O grupo de Flávio Dino acusa o atual governador de ter “virado as costas” a quem o ajudou a chegar ao poder. Já os aliados de Brandão afirmam que o ex-governador tenta manter controle sobre o Estado mesmo após assumir cadeira no Supremo.
No meio dessa briga, o MDB e o grupo Sarney enxergam uma oportunidade rara: atuar como mediadores, retomando protagonismo político no Estado após anos de afastamento do poder.
Mesmo afastado do centro da cena política, José Sarney mantém forte influência nos bastidores de Brasília e no Maranhão. Seu gesto de procurar Dino não é apenas um ato de diplomacia, mas também uma estratégia de reposicionamento político.
Segundo analistas, Sarney tenta se apresentar como uma figura de equilíbrio, capaz de amenizar os ânimos e garantir estabilidade — e, ao mesmo tempo, reconstruir pontes para o futuro.
No entanto, a condição imposta por Dino — de rejeitar qualquer candidatura de membro da família Brandão ao governo — mostra que a ferida política ainda está aberta.
Com o recado dado, as chances de um acordo mais amplo entre os dois blocos se tornam remotas. Enquanto isso, os bastidores seguem quentes: deputados estaduais divididos, prefeitos cautelosos e aliados tentando decifrar qual será o próximo movimento.
Entre as hipóteses que circulam, há quem diga que Sarney pode tentar aproximar Dino e Brandão por meio de aliados intermediários, evitando um contato direto, para testar até onde vai a disposição real de diálogo.
Mas, por ora, o sentimento dominante é de que a guerra política no Maranhão está apenas no começo — e o papel de Sarney como “pacificador” pode ser mais simbólico do que efetivo.