
A quantidade de candidatos competitivos é muito superior ao número de vagas (18), o que matematicamente prenuncia uma renovação elevada na bancada. Analistas locais já projetam que vários deputados atuais não conseguirão se reeleger, especialmente aqueles que perderam bases ou não se movimentaram nas eleições municipais de 2024.
Um fator-chave será a capacidade de composição e de transferência de votos. Muitos dos candidatos novos vêm com apoio de prefeitos recém-eleitos em 2024 – como Flamarion em Imperatriz, Gisele em Timon, Erlânio com dezenas de prefeitos do PDT, etc. Aqueles que conseguirem alinhar seu projeto com os interesses dos prefeitos tendem a sair na frente, pois usarão a máquina municipal para angariar votos. Por outro lado, em grupos onde há vários candidatos disputando os mesmos colégios eleitorais, haverá divisão de votos que pode custar eleições. No PL, por exemplo, Maura Jorge e Detinha podem competir pelo voto conservador no médio Mearim; no governismo, Duarte Jr., Yglésio e Flávia Berthier buscarão votos em São Luís potencialmente do mesmo nicho de classe média da capital.
Também há conflitos geracionais e familiares emergindo. Em alguns casos, dois membros de uma mesma família ou grupo buscam cargos diferentes para não concorrer entre si – vide Luciano Genésio e sua irmã Lucyana (ele para federal, ela tende a não concorrer novamente), ou Othelino optando pela irmã Flávia na Câmara enquanto mantém sua posição no estado. Entretanto, em outros casos há choque direto: no campo evangélico, Pastor Gil (PL) terá que disputar espaço com outros nomes apoiados por igrejas; no eleitorado de segurança pública, Aluísio Mendes (ex-secretário da PF) agora enfrenta concorrência de bolsonaristas que cortejam policiais e militares.
No PDT e aliados, a definição de candidaturas também pode gerar atrito: Weverton terá que equilibrar os interesses de Erlânio, Honaiser e eventuais aliados do Solidariedade, decidindo quem priorizar em termos de financiamento e dobradinhas (parcerias com candidatos a estadual).
Em meio a essa superlotação de candidaturas, cresce o risco de que nomes de voto expressivo fiquem sem mandato, algo que os próprios políticos reconhecem nos bastidores. A conta é simples: 18 vagas podem não comportar todos os “favoritos” listados. Em 2022, o mais votado fez cerca de 142 mil votos no MA (Josimar) e o quociente eleitoral girou em torno de 180 mil votos. Em 2026, espera-se quociente similar, mas com mais candidatos fortes dividindo apoios, a barreira para eleger-se pode ficar mais alta ou fragmentada em sobras. Possivelmente legendas como PL e PSB/coligados atingirão o quociente cheio e farão várias cadeiras, enquanto outras vagas serão preenchidas por sobra, beneficiando candidatos concentrados. Nessa configuração, um candidato com 50 mil votos pode entrar enquanto outro com 80 mil de outro partido fica fora – dependendo das coligações e distribuição. Esse cenário imprevisível leva a conversas de bastidores sobre fusões de chapa ou acordos de última hora para evitar desperdício de votos, mas a lealdade a presidenciáveis distintos pode impedir união de forças em alguns casos.
Faltando menos de um ano para as convenções, o cenário maranhense para deputado federal em 2026 já se delineia como um dos mais concorridos da história recente do estado. De um lado, há um esforço do campo governista em manter maioria da bancada, incorporando novos nomes ligados ao governo Brandão e à frente lulista. De outro, a oposição bolsonarista busca ampliar seu espaço, capitalizando a popularidade de Bolsonaro em certas regiões do Maranhão. No meio disso, grupos tradicionais (Sarney, clãs municipais) lutam para não serem varridos pela renovação.
A tendência, se mantidas todas essas pré-candidaturas, é de significativa renovação na representação maranhense em Brasília, com entrada de diversos novatos e possível saída de veteranos. Isso pode alterar o equilíbrio de poder interno do estado: uma bancada governista mais robusta facilitaria a vida de Brandão (ou seu sucessor) no diálogo com Brasília, ao passo que uma bancada com vários bolsonaristas reforçaria a oposição a Lula e daria palanque a uma eventual candidatura de direita ao governo do Maranhão em 2030.
Também chama atenção o fenômeno da pulverização de lideranças. Diferente de épocas passadas, em que poucos caciques controlavam a votação para a Câmara, em 2026 vemos múltiplos polos de liderança regional – Imperatriz, Caxias, Baixada, médio Mearim, ilha de São Luís – cada qual com dois ou três nomes fortes. Isso indica um Maranhão politicamente mais fragmentado, porém mais representativo de suas diversas regiões. A contrapartida é a possibilidade de frustrações eleitorais: inevitavelmente, alguns grupos influentes ficarão sem cadeira, o que pode gerar acomodação em secretarias estaduais/federais como consolação pós-eleição.
Em suma, a disputa pelas vagas de deputado federal pelo Maranhão em 2026 será marcada por intensas articulações e pelo equilíbrio delicado entre cooperação e competição entre aliados. Até as convenções, ajustes finos – como desistências estratégicas, mudanças de partido e composição de federações – poderão ocorrer para otimizar as chapas. No entanto, é certo que haverá “falta de cadeira” para tanta gente forte, e o resultado das urnas trará algumas surpresas. Resta saber quais grupos conseguirão traduzir seu poder local em votos válidos suficientes. Os próximos meses serão decisivos para a costura de alianças e definição de prioridades dentro de cada bloco. O cenário está lançado e, como dizem nos bastidores, “no Maranhão, eleição se decide nos detalhes” – em 2026, esses detalhes incluirão cada prefeitura conquistada, cada parceria firmada e cada voto disputado voto a voto até o último minuto.
A atual bancada maranhense em Brasília é formada por figuras tradicionais e novos quadros que devem tentar renovar o mandato. São eles:
Esses parlamentares formam a atual bancada, e pelo menos metade enfrenta risco real de não se reeleger, segundo analistas locais.
Além dos atuais deputados, uma nova leva de candidatos e ex-parlamentares deve disputar vaga em 2026: