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“Vocês estão bons é de trabalhar no Paraíba cobrando” – Secretários debocham de quem cobra salários atrasados em Gonçalves Dias

18/11/2025, às 12:03

A crise no funcionalismo público de Gonçalves Dias chegou a um nível alarmante. Além dos sucessivos atrasos nos salários, servidores agora denunciam deboches e humilhações vindos de secretários municipais quando tentam cobrar seus direitos.

Segundo relatos, quando alguém questiona sobre o pagamento, a resposta de integrantes da administração tem sido:

“Vocês estão bons é de trabalhar no Paraíba cobrando.”
(Referência ao setor de cobrança das lojas Paraíba, insinuando que, já que os servidores estão cobrando dinheiro, deveriam trabalhar lá).

A frase, repetida em grupos internos e até em conversas presenciais, revoltou os trabalhadores.

“É uma falta de respeito sem tamanho. A gente passa meses sem receber, pergunta quando vamos receber e a resposta é deboche. Como se fosse errado cobrar o salário pelo qual a gente trabalhou”, declarou uma servidora que pediu anonimato.

Humilhação além do atraso

O problema já não é apenas o salário atrasado – é a tentativa de ridicularizar quem luta para sobreviver. Muitos servidores estão com aluguel atrasado, contas acumuladas e sem condições mínimas de sustento.

“Tem gente passando necessidade, e os secretários fazem piada. Parece que estão brincando com o sofrimento alheio”, disse um funcionário contratado da educação.

Saída silenciosa de funcionários

Diante do descaso, alguns servidores estão entregando o emprego, mesmo sem ter outra oportunidade imediata, porque não conseguem mais trabalhar sem receber.

A falta de pessoal já afeta serviços públicos, com escolas reduzindo carga horária e setores inteiros funcionando no improviso.

Dinheiro entra, salário não sai

O município continua recebendo normalmente recursos como FPM, Fundeb, SUS e convênios estaduais. A pergunta que se espalha entre servidores e população é:

Se o dinheiro está entrando, por que o salário não está sendo pago?

Deboche não é gestão

Desrespeitar servidor público é ferir princípios básicos de administração pública e pode configurar assédio moral institucional.

A crise só aprofunda a insatisfação da população, que vê:

  • Obras estaduais sendo divulgadas
  • Eventos custeados pelo município
  • Mas servidores sem salário e sendo humilhados

Enquanto isso, nenhuma nota oficial foi publicada explicando o atraso ou pedindo desculpas pelas falas ofensivas.